Cada entrada segue a mesma estrutura, porque a utilidade do catálogo está em poder comparar. A última linha diz em que nível da trilha aquela inconsistência pode ser detectada e em qual ela é tratada. Detectar e tratar em geral acontecem em níveis diferentes, e confundir os dois pode fazer uma correção não durar.
Exemplo e regra. As descrições são padrões de erro ilustrativos, não casos de clientes. Quando uma regra decorre de norma, a fonte é citada. Nos demais casos, trata-se de regra de qualidade proposta pela Nexis, sem caráter normativo.
Cadastro sem CNS e sem CPF válido
Como aparece. O paciente é atendido, o exame é realizado, o laudo sai. Na hora de identificar o beneficiário na guia TISS, ou em qualquer envio que dependa de identificador do paciente, não há identificador utilizável.
Por que nasce. Na recepção, o identificador não é campo obrigatório, ou é obrigatório mas aceita qualquer coisa digitada. Em situações de urgência ou fora da recepção, o cadastro pode ficar incompleto. Ninguém volta depois para completar.
Como detectar. Contagem simples na base: cadastros ativos sem CNS e sem CPF, e cadastros com CPF que não passa na validação de dígito verificador. Separe os dois números, porque as causas são diferentes.
O que muda no registro. Tornar o identificador obrigatório com validação no ato do cadastro, não em conferência posterior. A validação do dígito verificador do CPF é uma regra de cálculo determinística.
Código de procedimento fora da versão vigente da terminologia
Como aparece. A guia é enviada e rejeitada, ou é aceita e glosada depois, com código de glosa relativo a procedimento não reconhecido.
Por que nasce. A terminologia da saúde suplementar é atualizada com regularidade, e a tabela dentro do sistema do prestador nem sempre acompanha. A ANS publicou versão do Padrão TISS com vigência a partir da competência janeiro de 2026 pelo Ofício-Circular 1/2026, com atualização das terminologias, e a versão de maio de 2026 foi atualizada em julho de 2026 (ANS, 2026). Cada atualização dessas é uma janela de erro.
Como detectar. Cruzar a tabela interna de procedimentos com a versão vigente do componente de representação de conceitos em saúde e listar os códigos que não existem mais ou mudaram de descrição.
O que muda no registro. Definir responsável e periodicidade para a atualização da tabela, ligados à publicação da ANS e não ao calendário interno.
Nível da trilha. Detectado no nível 2, tratado no nível 3 e monitorado no nível 4.
Campo vazio sem significado declarado
Como aparece. Um campo está em branco. Ninguém sabe dizer se a informação não existe, se não se aplica àquele caso, ou se alguém esqueceu de preencher.
Por que nasce. Ausência de dicionário de dados. O campo foi criado sem definição escrita do que significa preenchido e do que significa vazio.
Como detectar. Escolha os cinco campos mais usados em relatório e tente escrever, em uma linha cada, o que significa aquele campo em branco. Os que você não conseguir escrever são o problema.
O que muda no registro. Escrever a definição, e quando o vazio for ambíguo, criar valor explícito para não aplicável em vez de deixar em branco.
Nível da trilha. Aparece no nível 1 e pode explicar parte da divergência de contagem entre relatórios.
Mesmo paciente com múltiplos cadastros
Como aparece. O histórico do paciente está partido em dois ou três registros. Relatórios de volume contam pessoas a mais.
Por que nasce. Busca no cadastro por nome, que falha com abreviação, nome de casada, acento e erro de digitação. Sem identificador obrigatório, o atendente cria um cadastro novo porque é mais rápido do que procurar.
Como detectar. Agrupar por CPF e por data de nascimento com nome aproximado, e contar quantos grupos têm mais de um cadastro.
O que muda no registro. Busca por CPF ou CNS antes de permitir criação de cadastro novo, e regra que impede duplicidade de identificador.
Nível da trilha. Detectado no nível 1 ou 2, tratado no nível 3. Distorce indicadores de volume, que passam a contar pessoas a mais.
Nenhuma entrada usa dado de cliente, nem descaracterizado. As descrições são de padrões de erro, não de casos.